A Importância dos Músicos "Levitas" na Casa do Senhor
Desde os tempos antigos, a bíblia nos revela a importância da música nas reuniões e/ou festividades familiares e cristãs. Nas reuniões (cultos) a música passava a ser o elo que ligava o homem a Deus com súplicas, agradecimentos ou exaltações ao Seu nome.
Disse mais o Senhor a Moisés: Este será o encargo dos levitas: Da idade de vinte e cinco anos para cima entrarão para se ocuparem no serviço a tenda da revelação; e aos cinqüenta anos de idade sairão desse serviço e não servirão mais. (Números 8:23-25).
A bíblia afirma que os candidatos à vaga de músico teriam de ter 20 (Esd 3,8), 25 (Nm 8,23-25), ou 30 anos de idade (Nm 4,3.23.30.35.43.47), além de pertencerem à tribo de Levi, e demonstrarem suas habilidades e conhecimentos através de uma espécie de prova. Após ser aprovado, o levita assumia suas atividades musicais no Tabernáculo, sendo remunerado pelo mesmo para poder sustentar dignamente a sua família. Ao completar os 50 anos de idade era afastado das suas atividades. Uma forma de aposentadoria.
Quem podia transportar a arca (que representava a presença de Deus)? A resposta é simples; os levitas do Senhor, os quais eram separados para se dedicarem à obra de Deus. Qualquer outra pessoa que encostasse sem estar devidamente santificada e/ou separada era queimada viva apenas ao tocar na Arca.
Quando a Arca era transportada pelos levitas era seguida uma determinada ordem segundo os Salmos: “Iam à frente os cantores, atrás os tocadores de instrumentos, no meio as donzelas que tocavam adufes” (Salmo 68:5).
Nos dias de hoje qual é a importância do músico em sua igreja?
É fácil observar que hoje uma boa parte das igrejas evangélicas possui um grupo, banda ou ministério de louvor, os quais – na maioria das vezes – não faltam os cultos em suas igrejas, além dos ensaios e reuniões. Esses conjuntos são formados em sua maioria por músicos iniciantes que aprenderam a tocar algumas músicas “gospel” com amigos, ou tiveram algumas aulas de seu instrumento específico, e encontraram ali uma oportunidade para aprimorar esses conhecimentos.
Nesse contexto muitos pastores se deixam levar pela “necessidade” da igreja em ter algum acompanhamento musical para os muitos ou poucos louvores entoados (a quantidade vai depender dos costumes de cada congregação). É aqui onde surge a dualidade “necessidade da congregação” e “inexperiência musical”, o que causa um louvor mal elaborado tecnicamente justamente por caírem nos dois paradigmas que desfavorecem ambos os lados. As frases são: “Deus aceita se for de todo coração” e “deve-se tocar / cantar por amor a obra do Senhor, pois a recompensa vem do alto”. Isso vai gerar as duas problemáticas existentes nas igrejas de hoje.
A primeira é que a grande maioria desses “músicos” não encontram muitas vezes dificuldades para participarem de um grupo de louvor da igreja A ou B, sendo assim não encontram motivos muito convincentes para se aperfeiçoarem musicalmente e até espiritualmente - o que tem levado muitos desses jovens a ficarem estagnados musicalmente por muito tempo em suas igrejas -, ou até por falta de preparo espiritual, acabam mudando de igreja ou infelizmente se desviando.
E a segunda é que muitos dos que estão à frente da congregação A ou B não estão dispostos a “investir” em um levita da casa para que o mesmo possa amadurecer seus conhecimentos musicais. Outro fator que leva o jovem a migrar para outra congregação ou se desviar.
Não negligencies o dom que há em ti, o qual te foi dado por profecia, com a imposição das mãos do presbítero. Ocupa-te destas coisas, dedica-te inteiramente a elas, para que o teu progresso seja manifesto a todos. Tem cuidado de ti mesmo e do teu ensino; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. (Timóteo 4:14-16).
O trecho em negrito é claro quando utiliza as palavras progresso e ensino. O levita tem sempre que procurar aperfeiçoar o dom que Deus lhe entregou. No final do texto é apresentado o objetivo do levita que é dedicado à obra e estudioso. Imaginem se um determinado grupo de louvor executa cânticos onde os vocalistas desafinam com muita facilidade, e/ou os instrumentistas tocam acordes errados ou os aplicam em tempos nitidamente diferentes do que se deveria. Até um leigo musicalmente que visite a congregação percebe tal cenário musical. E como salvar então almas através do louvor se ele está desorganizado aos ouvidos dos fiéis e visitantes?
Quem sou eu
- Ítalo Barros
- Ítalo Barros nasceu em abril de 1985 em Aracaju/SE. Iniciou seus estudos musicais em agosto de 1995. Em agosto 2001 participou do mini-curso de Teoria Musical de seis meses promovido pela Igreja Batista Brasileira em Marcos Freire, onde teve o seu primeiro contato com a partitura. Ao final de 2002 se inscreveu para uma vaga em Violão Clássico no Conservatório de Música de Sergipe, mas pela falta de noções teóricas e preparo devido não foi bem sucedido. Participou em janeiro de 2005 de uma prova teórica e prática avaliada por uma banca de professores do CMS para poder avançar para o nível técnico, no qual foi aprovado com louvor, iniciando seus estudos técnicos em fevereiro de 2005 e integrando simultaneamente o Quarteto de Violões do Conservatório de Música de Sergipe. Em 2006 surge um novo curso na Universidade Federal de Sergipe, que era o de “Música – Licenciatura em Educação Musical”. Não perdendo tempo se matriculou para prestar o vestibular, e mesmo sem poder ter feito um cursinho durante o ano, uma reciclagem musical e/ou geral para um melhor aproveitamento foi aprovado, iniciando seus estudos na Universidade Federal de Sergipe em fevereiro de 2007. ...
segunda-feira, 6 de dezembro de 2010
quarta-feira, 10 de novembro de 2010
Aprendizagem Musical na Igreja Evangélica
Desde o Velho Testamento
Segundo Maria V. T. Monrabal o culto é “a homenagem de adoração e ação de graças que se tributa a Deus”, ou seja, o louvor estava sempre presente nos cultos desde o Velho Testamento. Era uma forma viva de se expressar ao nosso Deus através da alma.
A autora ainda ressalta as exigências impostas aos levitas no VT para poderem exercer seus serviços na casa do Senhor (O Templo), onde “deviam passar por uma dupla prova acerca de suas aptidões e sobre a pureza de origem”. Vemos aqui a importância dada à vida dos levitas dentro e fora dos muros do Templo do Senhor.
A hierarquia devia também ser respeitada no Templo, pois entre os “levitas músicos” existia o primeiro chefe de música, este encarregado de organizar o serviço de sua seção de culto, e um mestre de coro que dirigia a salmodia e marcava a entrada dos instrumentos, funções essas exercidas hoje pelo líder de louvor em nossas igrejas.
Não houve na Bíblia um judeu mais inspirado, virtuosi e acima de tudo temente a Iahweh do que o jovem Davi (o pastor de ovelhas). A ele foi atribuída à organização da música e a fabricação de instrumentos para o louvor (1 Cr 23,5).
Na Idade Média, segundo a autora Denize Frederico, “o fiel ia ao culto para “apreciar” o canto dos monges e o aparato da ornamentação e das entradas solenes dos bispos, abades, e arcebispos no templo” (p. 28). E a partir daí são criadas as formas de culto denominadas “dramas litúrgicos”, uma forma de teatro de rua com músicas sacras e populares, utilizadas como forma de evangelização. Com isso as formas musicais congregacionais foram realmente se transformando.
“‘Já no século XII, as autoridades religiosas condenavam aqueles que subordinavam a oração à música, ou se dedicavam a entreter a congregação mais que dirigir as orações. (HALEVI DONIM, Rabi Hayim, Rezar como...). ’ Essa é a opinião dos rabinos, embora os movimentos de reforma modernista dos séculos XVIII e XIX tenham visto como positiva a dupla influência da Igreja e da ópera para elevar a qualidade da música no serviço sinagogal. Nestes séculos se criaram escolas de canto, recolhendo e estudando sua música tradicional e criando novas composições. A inovação mais importante foi introduzir a música coral.” (MONRABAL, p.81) Nos dias de hoje, especificamente a partir do século XX muitos vêm falando em “falta de espiritualidade no louvor direcionado a Deus”, ou, “esse estilo ou aquele não adora a Deus”, sem levar em consideração o país em que vivemos com suas diversas culturas musicalmente regionais. Análogo a isso, estão às transformações musicais sofridas durante todo esse tempo desde o VT até os tempos de hoje, ou seja, o “tipo” de música executada nas igrejas de hoje divergem e muito das executadas no VT ou na época de Cristo tanto em forma quanto em estética, e é por esse motivo que especialistas e musicólogos discutem muito sobre “qual seria o tipo de música realmente cristão nos tempos de hoje?”
Novos Métodos
Desde o início de todas as coisas que ritmos e melodias eram passados de geração a geração de forma oral. O ensino de música a partir da criação de formas de escritas musicais até os nossos dias passou a ser muito teórico. Nessa forma de ensino que perdura timidamente até os dias de hoje, muitos alunos passavam meses ou anos estudando teoria sem ao menos ter contato com o instrumento desejado ou com qualquer coisa relacionada à música que fosse palpável, a não ser o lápis e o caderno pautado.
Foi o início do século XX que marcou a evolução e o surgimento das novas doutrinas pedagógico-musicais denominadas como “Métodos Ativos”. O suíço Êmile Jacques Dalcroze foi o responsável pela renovação do ensino musical, entronizou o corpo como catalisador do ritmo e dos fenômenos musicais. A tônica era dizer eu sinto em vez de eu sei. Dalcroze trouxe uma contribuição valiosa para o ensino da música, até puramente teórico, abstrato e demonstrativo, totalmente desvinculado da vivência e da prática. No Brasil esse método encontrou ressonância e foi largamente aplicado junto com algumas idéias do pedagogo Edgar Willems, pelo seu enfoque psicológico, e do pedagogo alemão Carl Orff que também defendia a prática antes da teoria. Sá Pereira, Maurice Chevais, Martenot, Justine Ward e Kodály também tiveram seus métodos aplicados no Brasil, porém, em menor escala. Ainda nos anos 30 uma política educacional nacionalista e autoritária, utilizou a música para desenvolver a coletividade, a disciplina e o pensamento nacionalista. Neste período, por meio de um decreto, o ensino de música torna-se obrigatório nas escolas primárias e secundárias. O maestro Heitor Villa-Lobos, teve um papel importante neste momento de transformação elaborando uma proposta pedagógica a ser aplicada denominada de Canto Orfeônico adotada como disciplina para as escolas de todo o país. Proposta essa que durou pouco mais de 15 anos e que foi se perdendo gradativamente.
Essa mesma proposta pedagógica torna-se viável para uma educação musical dentro das nossas igrejas, onde os alunos possam vivenciar música sem por a teoria (conceitos e práticas de leitura e escrita) como algo imprescindível para poder louvar e adorar a Deus (tocar e/ou cantar). A “teoria” será introduzida gradativamente no decorrer das aulas de música e de forma natural.
Realidades Atuais
As crianças são esquecidas em nossas igrejas no que diz respeito à Educação Musical. Os responsáveis por elas acreditam que os ensinando a cantarem algumas músicas para se apresentarem na igreja, estarão ensinando música (imitação). Isso apenas faz da criança um mero e simples repetidor, o que acaba levando muitas delas a cantarem com Play Backs músicas de adultos a todo o tempo, não lhes proporcionando a magia da infância, das músicas com história, gestos e brincadeiras e etc., além de esquecerem que algumas delas passam pelo processo de muda vocal mais cedo que outras, fazendo dessas músicas escolhidas um esforço excessivo para toda a região laríngea da criança.
Todo esse processo faz com que a criança naturalmente construa suas referências musicais, mas acaba limitando o processo de desenvolvimento criativo e cognitivo da criança em desenvolver a sua característica musical própria.
Essas práticas têm gerado conseqüências que se refletem da juventude à maturidade.
Muitas pessoas em nossas igrejas quando ouvem de alguém ou percebem por conta própria que possuem uma “boa voz” ou “facilidade em aprender um instrumento” e são chamados para participar de uma banda ou um ministério conseguindo assim o seu “espaço”, acabam com o tempo se acomodando e levando ao pé da letra uma frase tipicamente pronunciada: “Eu louvo de coração e Deus recebe”. Claro que sim, mas devemos dar o nosso melhor para Deus e não “o que der pra fazer”. As nossas primícias são para o Senhor.
O que se vê em diversas igrejas, principalmente as pequenas, são cantores e instrumentistas muitas vezes sem a menor noção de percepção musical, que não se olham, não se comunicam uns com os outros e menos ainda com os congregados, ou se comunicam em demasia e esquecem-se da parte musical, do grupo, entre outros, lembrando que quando os músicos são iniciantes no ministério ainda se entende, mas exponho aqui os cantores e instrumentistas que já louvam a anos em suas igrejas e não procuram aperfeiçoar o dom dado por Deus.
Por todos esses fatores é que se faz necessária uma política de educação musical compromissada nas igrejas de hoje, a fim de aperfeiçoar o que cada indivíduo já conhece ou aprendeu de forma oral. Ressalto que, quando menciono a palavra aperfeiçoar, não estou me referindo à pessoa ser “PHD em partitura”, pois essa é apenas mais uma forma de leitura e escrita musical. A diferença é que ela é considerada a mais completa em comparação com as outras formas (leitura numérica, tablatura, cifras e etc.).
Além disso, devemos considerar o fato de que a maioria dos adolescentes e jovens cristãos tem sua base de aprendizado musical iniciada com professores e/ou escolas não cristãs, as quais utilizam como ferramentas metodológicas músicas que não adoram a Deus ou no pior das hipóteses são hereges.
Conclusão
Será que não teríamos jovens mais compromissados com o ministério de louvor se essa base musical fosse adquirida na sua igreja desde a infância através de aulas de educação musical para as crianças e de instrumentos e canto coral para adolescentes e jovens?
Será que daríamos um fim na perda de tantos jovens talentosos para o mundo?
Ao que me parece, as igrejas estimulam os adolescentes a tocar ou cantar com o velho “se vira aí meu irmão!”, e depois que os garotos num processo contínuo de se aperfeiçoar fora da igreja (pois para muitos é a única forma de ser no mínimo “bom” em seu instrumento) e aplicar esses conhecimentos dentro dela, acabam optando por sair da mesmice e/ou falta de apoio indo de vez para o mundo. E pastores ainda têm a coragem de exclamar:
Ninguém é insubstituível, se sair um Deus manda outro!
Isso é sério! Enquanto outros aparecem pra tapar o buraco e talvez seguir o mesmo destino que os antigos músicos, perdemos outros para o mundo, e de quem você acha que Deus cobrará?
Vamos educar musicalmente nossas crianças e jovens, pois eles serão o futuro musical das nossas igrejas até que o Salvador volte!
Por: Ítalo Barros
Segundo Maria V. T. Monrabal o culto é “a homenagem de adoração e ação de graças que se tributa a Deus”, ou seja, o louvor estava sempre presente nos cultos desde o Velho Testamento. Era uma forma viva de se expressar ao nosso Deus através da alma.
A autora ainda ressalta as exigências impostas aos levitas no VT para poderem exercer seus serviços na casa do Senhor (O Templo), onde “deviam passar por uma dupla prova acerca de suas aptidões e sobre a pureza de origem”. Vemos aqui a importância dada à vida dos levitas dentro e fora dos muros do Templo do Senhor.
A hierarquia devia também ser respeitada no Templo, pois entre os “levitas músicos” existia o primeiro chefe de música, este encarregado de organizar o serviço de sua seção de culto, e um mestre de coro que dirigia a salmodia e marcava a entrada dos instrumentos, funções essas exercidas hoje pelo líder de louvor em nossas igrejas.
Não houve na Bíblia um judeu mais inspirado, virtuosi e acima de tudo temente a Iahweh do que o jovem Davi (o pastor de ovelhas). A ele foi atribuída à organização da música e a fabricação de instrumentos para o louvor (1 Cr 23,5).
Na Idade Média, segundo a autora Denize Frederico, “o fiel ia ao culto para “apreciar” o canto dos monges e o aparato da ornamentação e das entradas solenes dos bispos, abades, e arcebispos no templo” (p. 28). E a partir daí são criadas as formas de culto denominadas “dramas litúrgicos”, uma forma de teatro de rua com músicas sacras e populares, utilizadas como forma de evangelização. Com isso as formas musicais congregacionais foram realmente se transformando.
“‘Já no século XII, as autoridades religiosas condenavam aqueles que subordinavam a oração à música, ou se dedicavam a entreter a congregação mais que dirigir as orações. (HALEVI DONIM, Rabi Hayim, Rezar como...). ’ Essa é a opinião dos rabinos, embora os movimentos de reforma modernista dos séculos XVIII e XIX tenham visto como positiva a dupla influência da Igreja e da ópera para elevar a qualidade da música no serviço sinagogal. Nestes séculos se criaram escolas de canto, recolhendo e estudando sua música tradicional e criando novas composições. A inovação mais importante foi introduzir a música coral.” (MONRABAL, p.81) Nos dias de hoje, especificamente a partir do século XX muitos vêm falando em “falta de espiritualidade no louvor direcionado a Deus”, ou, “esse estilo ou aquele não adora a Deus”, sem levar em consideração o país em que vivemos com suas diversas culturas musicalmente regionais. Análogo a isso, estão às transformações musicais sofridas durante todo esse tempo desde o VT até os tempos de hoje, ou seja, o “tipo” de música executada nas igrejas de hoje divergem e muito das executadas no VT ou na época de Cristo tanto em forma quanto em estética, e é por esse motivo que especialistas e musicólogos discutem muito sobre “qual seria o tipo de música realmente cristão nos tempos de hoje?”
Novos Métodos
Desde o início de todas as coisas que ritmos e melodias eram passados de geração a geração de forma oral. O ensino de música a partir da criação de formas de escritas musicais até os nossos dias passou a ser muito teórico. Nessa forma de ensino que perdura timidamente até os dias de hoje, muitos alunos passavam meses ou anos estudando teoria sem ao menos ter contato com o instrumento desejado ou com qualquer coisa relacionada à música que fosse palpável, a não ser o lápis e o caderno pautado.
Foi o início do século XX que marcou a evolução e o surgimento das novas doutrinas pedagógico-musicais denominadas como “Métodos Ativos”. O suíço Êmile Jacques Dalcroze foi o responsável pela renovação do ensino musical, entronizou o corpo como catalisador do ritmo e dos fenômenos musicais. A tônica era dizer eu sinto em vez de eu sei. Dalcroze trouxe uma contribuição valiosa para o ensino da música, até puramente teórico, abstrato e demonstrativo, totalmente desvinculado da vivência e da prática. No Brasil esse método encontrou ressonância e foi largamente aplicado junto com algumas idéias do pedagogo Edgar Willems, pelo seu enfoque psicológico, e do pedagogo alemão Carl Orff que também defendia a prática antes da teoria. Sá Pereira, Maurice Chevais, Martenot, Justine Ward e Kodály também tiveram seus métodos aplicados no Brasil, porém, em menor escala. Ainda nos anos 30 uma política educacional nacionalista e autoritária, utilizou a música para desenvolver a coletividade, a disciplina e o pensamento nacionalista. Neste período, por meio de um decreto, o ensino de música torna-se obrigatório nas escolas primárias e secundárias. O maestro Heitor Villa-Lobos, teve um papel importante neste momento de transformação elaborando uma proposta pedagógica a ser aplicada denominada de Canto Orfeônico adotada como disciplina para as escolas de todo o país. Proposta essa que durou pouco mais de 15 anos e que foi se perdendo gradativamente.
Essa mesma proposta pedagógica torna-se viável para uma educação musical dentro das nossas igrejas, onde os alunos possam vivenciar música sem por a teoria (conceitos e práticas de leitura e escrita) como algo imprescindível para poder louvar e adorar a Deus (tocar e/ou cantar). A “teoria” será introduzida gradativamente no decorrer das aulas de música e de forma natural.
Realidades Atuais
As crianças são esquecidas em nossas igrejas no que diz respeito à Educação Musical. Os responsáveis por elas acreditam que os ensinando a cantarem algumas músicas para se apresentarem na igreja, estarão ensinando música (imitação). Isso apenas faz da criança um mero e simples repetidor, o que acaba levando muitas delas a cantarem com Play Backs músicas de adultos a todo o tempo, não lhes proporcionando a magia da infância, das músicas com história, gestos e brincadeiras e etc., além de esquecerem que algumas delas passam pelo processo de muda vocal mais cedo que outras, fazendo dessas músicas escolhidas um esforço excessivo para toda a região laríngea da criança.
Todo esse processo faz com que a criança naturalmente construa suas referências musicais, mas acaba limitando o processo de desenvolvimento criativo e cognitivo da criança em desenvolver a sua característica musical própria.
Essas práticas têm gerado conseqüências que se refletem da juventude à maturidade.
Muitas pessoas em nossas igrejas quando ouvem de alguém ou percebem por conta própria que possuem uma “boa voz” ou “facilidade em aprender um instrumento” e são chamados para participar de uma banda ou um ministério conseguindo assim o seu “espaço”, acabam com o tempo se acomodando e levando ao pé da letra uma frase tipicamente pronunciada: “Eu louvo de coração e Deus recebe”. Claro que sim, mas devemos dar o nosso melhor para Deus e não “o que der pra fazer”. As nossas primícias são para o Senhor.
O que se vê em diversas igrejas, principalmente as pequenas, são cantores e instrumentistas muitas vezes sem a menor noção de percepção musical, que não se olham, não se comunicam uns com os outros e menos ainda com os congregados, ou se comunicam em demasia e esquecem-se da parte musical, do grupo, entre outros, lembrando que quando os músicos são iniciantes no ministério ainda se entende, mas exponho aqui os cantores e instrumentistas que já louvam a anos em suas igrejas e não procuram aperfeiçoar o dom dado por Deus.
Por todos esses fatores é que se faz necessária uma política de educação musical compromissada nas igrejas de hoje, a fim de aperfeiçoar o que cada indivíduo já conhece ou aprendeu de forma oral. Ressalto que, quando menciono a palavra aperfeiçoar, não estou me referindo à pessoa ser “PHD em partitura”, pois essa é apenas mais uma forma de leitura e escrita musical. A diferença é que ela é considerada a mais completa em comparação com as outras formas (leitura numérica, tablatura, cifras e etc.).
Além disso, devemos considerar o fato de que a maioria dos adolescentes e jovens cristãos tem sua base de aprendizado musical iniciada com professores e/ou escolas não cristãs, as quais utilizam como ferramentas metodológicas músicas que não adoram a Deus ou no pior das hipóteses são hereges.
Conclusão
Será que não teríamos jovens mais compromissados com o ministério de louvor se essa base musical fosse adquirida na sua igreja desde a infância através de aulas de educação musical para as crianças e de instrumentos e canto coral para adolescentes e jovens?
Será que daríamos um fim na perda de tantos jovens talentosos para o mundo?
Ao que me parece, as igrejas estimulam os adolescentes a tocar ou cantar com o velho “se vira aí meu irmão!”, e depois que os garotos num processo contínuo de se aperfeiçoar fora da igreja (pois para muitos é a única forma de ser no mínimo “bom” em seu instrumento) e aplicar esses conhecimentos dentro dela, acabam optando por sair da mesmice e/ou falta de apoio indo de vez para o mundo. E pastores ainda têm a coragem de exclamar:
Ninguém é insubstituível, se sair um Deus manda outro!
Isso é sério! Enquanto outros aparecem pra tapar o buraco e talvez seguir o mesmo destino que os antigos músicos, perdemos outros para o mundo, e de quem você acha que Deus cobrará?
Vamos educar musicalmente nossas crianças e jovens, pois eles serão o futuro musical das nossas igrejas até que o Salvador volte!
Por: Ítalo Barros
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